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Maria Bethânia, Conspiração e a falta de uma boa Imprensa

17 de Março de 2011
foto: divulgação

O assunto mais comentado nas redes sociais no dia de ontem, 16 de março, foi que Maria Bethânia irá ganhar do governo R$ 1,3 milhão para criar um blog de poesia.

Segundo a notícia publicada pela jornalista Mônica Bergamo da Folha de São Paulo, o projeto de Bethânia, chamado “O Mundo Precisa de Poesia”, ganhou autorização para captar tal montante.

A Lei Rouanet permite que qualquer pessoa , física ou jurídica, crie um evento cultural e tente captar recursos através de renúncia fiscal de empresas patrocinadoras. Partindo desse princípio, o governo acha que não está dando dinheiro de forma direta para cantora. “Esta aprovação, que seguiu estritamente a legislação, não garante, apenas autoriza a captação de recursos junto à sociedade”, é o que diz a nota de esclarecimento da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), divulgada pelo Ministério da Cultura. Se o projeto está dentro da lei? Porque reclamar da Bethânia?

Ao ler o processo é que aparecem as questões para reclamar. Questões que deveriam ser divulgadas pela imprensa. Questões que deveriam ser debatidas e investigadas. Vamos a elas.

Inicialmente o projeto estava orçado em R$ 1.798.600,00, mas o MinC fez alguns cortes, e o aprovou no valor de R$ 1.356.858,00, onde desse total a própria Maria Bethânia receberia R$ 600 mil pela função de “Diretor Artístico” e R$ 36 mil para fazer a “Pesquisa” dos textos para o projeto.

Não entendo da remuneração praticada na área da cultura. Mas um terço do custo total original do projeto é embolsado pela cantora? Alguém pode me dizer se isso é normal? Esses valores para os artistas. Se isso for correto, me sinto lesado como cidadão. A lei federal não deveria beneficiar artistas notórios como Bethânia. A figura dela já não é suficiente para conseguir dinheiro da iniciativa privada e em contra partida agregar valor a empresa patrocinadora? Mesmo sendo um projeto sobre poesia?

Outro ponto que deveria ser amplamente debatido e divulgado:  Como a CNIC aprova um orçamento com esses valores?

Na ficha técnica do projeto aparece como responsável pela produção dos vídeos a empresa Conspiração Filmes. A produtora tem como sócios fundadores Cláudio Torres, José Henrique Fonseca, Arthur Fontes, Andrucha Waddington e Lula Buarque de Hollanda. Será que houve algum tipo de favorecimento da parte do Ministério da Cultura na aprovação do projeto? Já que a atual ministra é Ana de Hollanda, irmã de Chico Buarque de Hollanda. Ou seja, da mesma família de um dos sócios fundadores da produtora dos vídeos.

Essas questões deveriam estar nos principais jornais para que o público pudesse tirar suas próprias conclusões e começar um debate. Mas parece que a imprensa tem medo de colocar a merda no ventilador.

2 comentários leave one →
  1. Marcelo Daguerre permalink
    18 de Março de 2011 1:27 PM

    pois é, Gustavo. Hoje mesmo eu estava lendo ou outro blog falando sobre assunto de forma bastante interessante, mas não colocando em pauta a discussão sobre valores e equipe de produção. A conspiração filmes sempre tem privilégios sufocando outras empresas de filmagem e eu conheço uma delas. Por experiência própria, participo de espetáculos de teatro que pra conseguirem 80 mil pra uma montagem tem que “rebolar” e aceitando, no fim das contas, uns 50 mil no máximo. Bom, esse não deve ser o caso de um espetáculo do Miguel Falabela, mas isso é um outro assunto, né? Forte abraço e sucesso

  2. Gabriela Amaral permalink
    18 de Março de 2011 7:55 PM

    Bonito, acho que tem muitas coisas aí. O que é perverso na Lei Rouanet – além de mascarar os pífios orçamentos pra cultura – é que ela exime o estado de elaborar uma política pública e joga no colo da iniciativa privada a responsabilidade de decidir o que será produzido em termos artísticos no país. Afinal, é a empresa que escolhe a quem vai dar parte do quinhão de seu imporsto de renda, certo? E a quem ela gostaria de associar sua marca. Sendo assim, é óbvio que a cara da Maria Bethânia lendo poesia num site ( cujo acesso é gratuito, ainda por cima!) rende mais visitas do que a minha. E, com isso, há mais visibilidade da marca. Vai dizer que esse rostinho bonito dela não tem valor de mercado? Que não agrega valor? Nesse sentido, até questiono o percentual da remuneração da Bethãnia em relação ao escopo total do projeto. Mas o valor em si? É até bem em conta pagar à Maria Bethânia 600 mil durante um ano. Dá 50 mil por mês. O valor dela de mercado na real é bem mais alto que esse e o empresário sabe disso. Fácil, fácil ela ganharia bem mais que 50 mil num único show. Um ator de segundo escalão de novela ganha uns 70 paus numa tarde, numa convenção da Coca-cola. E é bem provável que esses 600 mil não parem diretamente no bolso da Bethânia. A lei Rouanet é tão chata, mas tão chata com negócio de prestação de contas, que é mais fácil fazer um rubricão de orçamento dizendo que aquela verba “é da Bethânia” – afinal, é uma celebridade, tá acostumada a receber isso, emite essa nota fiscal num peido – e ir usando o dinheiro pra outras coisas do projeto, à medida que for necessário, sem maiores pentelhações. Outra distorção da lei, eu sei, mas praticado por muita gente. Não só gente grande não…

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