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A apoteose dos pais do heavy metal

16 de Outubro de 2013
Foto: Globo.com

Foto: Globo.com

Gosto sempre de estar atualizado. Acompanhar os acontecimentos. Acompanhar os movimentos, sejam eles políticos, sociais ou culturais. Porque assim me renovo e fico em movimento junto com as novas gerações. Mas para ter uma compreensão correta, e acertada, é necessário conhecer e entender o passado. Conhecer a história anterior desses movimentos. E no mundo da música, isso não pode ser diferente. Ou seja, pra entendermos e compreendermos melhor a produção musical atual, além de levar em conta o que acontece no mundo de hoje, é necessário conhecer e valorizar o que foi produzido pelas gerações passadas. Por isso, que passado 43 anos do lançamento do primeiro álbum, é importante ver e ouvir in loco o Black Sabbath. Banda criadora de um estilo musical – o Metal – que influenciou, e influência, tantas bandas de vários estilos até hoje.

Foi esse o motivo que me levou domingo a praça da apoteose. Mas confesso que não esperava tanto do show dos ingleses. Principalmente, depois de ver o setlist que estava sendo executado na perna latina da turnê. Apesar de ser uma lista repleta de clássicos, com três músicas do último álbum “13” adicionadas, achei que a escolha da ordem não iria funcionar ao vivo. Me enganei completamente. Alternando momentos de “todo mundo cantando junto” com “todo mundo pulando junto” – nessa última, é claro que não podemos colocar Ozzy no bolo -, a ordem na execução das canções levou os membros sexagenários da banda a fazerem um ótimo show.

Ozzy Osbourne foi bastante comunicativo com o público. Jogou balde d’água, regeu o público no coro e gritou a sua famosa frase: “I can’t fuck hear you”. E sim, cantou bem. Apesar dos 65 anos, a voz não falhou em nenhum momento. Destaque para a performance na canção que leva o nome da banda, foi de arrepiar. Não posso deixar de citar o resto da banda: Gezzer Butler, com os dedos mais rápidos do oeste, fez seu baixo pulsar e detonar, principalmente em “N.I.B” e “War Pigs“;  e o que dizer do deus Tony Iommi? O cara foi fantástico. Perfilou um riff atrás do outro de maneira direta e única. Tocou sem firulas, e da maneira que você ouve nos discos da banda.

Foto:

Foto: divulgação

Soma-se a eles – mesmo não sendo membro original, isso não o torna menos importante no show, muito pelo contrário – o devastador Tommy Clufetos na bateria. O visual meio “hippie paz e amor”, meio “Jesus Cristo superstar” do batera não condiz com a violência e precisão ao tocar as notas e conduzir o andamento das canções. A escolha de Clufetos como substituto de Bill Ward foi um grande acerto, porque ele emprega uma nova dinâmica e força a banda. Além disso, Clufetos é o protagonista de um momento importante e tão comum em shows de bandas da velha guarda: o solo de bateria. O solo teve a sua importância durante a apresentação porque foi naquela hora onde os senhores da banda puderam dar uma breve descansada.

A apoteose dos pais do heavy metal no domingo me convenceu, ainda mais, de como é importante reverenciar, ver e ouvir ao vivo bandas que influenciaram gerações. Principalmente quando tais músicos se preocupem em manter a qualidade nos shows após anos de carreira. E essa preocupação, o Black Sabbath mostrou ter e muito.

Setlist:

War Pigs – Into the Void – Under the Sun – Snowblind – Age of Reason – Black Sabbath – Behind the Wall of Sleep – N.I.B.  – End of the Beginning – Fairies Wear Boots – Rat Salad – Tommy Clufetos Solo – Iron Man – God Is Dead? – Dirty Women – Children of the Grave

Bis:

Sabbath Bloody Sabbath Intro – Paranoid

Os Macacos do Ártico ou de Los Angeles?

18 de Setembro de 2013
Foto: Tim Mosenfelder/Getty Images

Foto: Tim Mosenfelder/Getty Images

Alex Turner adora passar temporadas em Los Angeles. Foi assim durante a gravação do álbum anterior “Suck It and See”, e foi assim durante as gravações do novo álbum, chamado simplesmente de “AM”. Apesar de já ter dito em entrevistas anteriores que gosta de Hip Hop, gênero que ouvia em Sheffield antes de montar a banda, acredito que tais temporadas de Turner na cidade dos anjos foi que levaram a ter um maior contato com esse estilo de música, e por consequência, acabou por influenciar de forma mais direta a direção musical adotada nesse novo trabalho.

Vocais em falsetes, batidas próxima aos sons, R&B, Soul e Hip Hop, que dominam as paradas norte americanas são elementos presentes e de forma bem clara em “AM”, como é fácil notar na faixa “One for the road”. Em outras duas faixas temos baladas com típicos elementos do mundo pop americano, são elas: “N.1 Party Anthem”, que começa com um piano à la Elton John (um inglês que bebeu, e muito, na fonte americana) e “Mad Sounds” que tem a presença de um orgão, bem discreto, acompanhando a canção.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O rock ainda está presente nesse álbum. Não de forma tão explicita e raivosa, como nos trabalhos anteriores da banda. Mas está lá, como vemos nas faixas “Arabella” e “R U Mine”. Na primeira, a parte que precede o refrão, e no refrão propriamente dito, é impossível não associa-la ao clássico “War Pigs” do Black Sabbath.  Já “R U Mine” é a faixa mais pesada e com pegada do álbum.

Outro aspecto diferente nesse disco: são poucas as faixas onde a bateria – do preciso Matt Helders – faz alguma virada. Coisa tão comum em antigas canções. As levadas, na maioria das vezes, são retas, sem quebras, com uma função mais de segurar e marcar do que dar ritmo. Aliás, na maioria das canções da nova gravação, o ritmo é função do baixo. É ele que dá vida e dinâmica, como por exemplo, em “Fireside” e “Why’d You Only Call Me When You’re High?”.

Sobre as letras desse álbum, percebo em algumas a presença e influência de LA.  Seja, através de citações que remetem ao universo de Hollywood de várias épocas, como jaquetas de couro, maiôs prateados e horizonte ensolarado, ou seja, por algumas situações retratadas, como as desilusões amorosas.

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“AM” é um disco diferente dos anteriores. Onde a banda ousa, ao inserir elementos novos tão diferentes e distante de suas referências roqueiras. E talvez, por isso, os macacos possam perder alguns antigos fãs que gostavam do som mais rock. Mas é um álbum interessante e que melhora a cada nova audição.

As Quatro novas canções dos Pixies

11 de Setembro de 2013
Foto: Agência Reuters

Foto: Agência Reuters

Eles acordaram! Depois de um hiato de 22 anos sem lançar material inédito, o último foi o álbum “Trompe Le Monde”, os Pixies saíram da hibernação criativa e lançaram, na manhã de 3 de setembro, um EP com quatro músicas inéditas. A banda americana já havia dado um  primeiro sinal de que estava voltando a criar quando lançou no último mês de junho a canção “Bagboy“.

As canções “Andro Queen”, “Another Toe In The Ocean”, “Indie Cindy” e “What Goes Boom” foram gravadas no Rockfield Studios, no País de Gales, com a produção de Gil Norton, que trabalhou com a banda anteriormente nos discos “Doolittle”, “Bossanova” e “Trompe Le Monde”. Segundo o New York Times, esse é o primeiro material de uma série de vários lançamentos que a banda planeja soltar nos próximos quinze meses. Kim Deal participou do início das gravações desse novo material, mas disse que não poderia continuar. Com isso, Simon Archer assumiu o baixo até o termino das gravações. Mas o posto será de Kim Shattuck durante a turnê.

Para divulgar o novo trabalho, o grupo tem uma série de shows  agendados pela Europa, onde o primeiro será realizado no dia 25 de setembro em Londres no iTunes Festival.

O chamado EP1 pode ser adquirido na página da banda na web numa versão limitada em vinyl. Segue abaixo um breve comentário de cada faixa.

“Andro Queen”

A canção começa com a batida seca do bumbo acompanhando um efeito meio espacial, meio robôtico, que junto com cada acorde tocado pela guitarra, também cheia de efeito (talvez um chorus?), faz uma “cama” para a voz de Frank Black. Numa segunda parte da música, quando entra o violão, a bateria alterna momentos de marcação com uma levada marcial. Tais efeitos e levadas na canção são elementos principais para criar o clima robôtico, monarquico e espacial citado na letra e no título da faixa.

“Another Toe In The Ocean”

A composição mais interessante para mim. O conjunto sonoro não é muito parecido com as composições antigas dos Pixies. Mas todos os elementos identificavéis do som deles se encontra nessa canção. Tem o momento baixo conduzindo a canção, só que dessa vez com um peso interessante e atual; o violão fazendo a sua levada simples e melódica; e no final da canção, aquela acelerada clássica da bateria junto com os “gritos” ou “lamentações” – se você preferir – da guitarra solo de Joey Santiago.

“Indie Cindy”

Canção com elementos de Surf music. Começa nessa levada, entra um riff com efeito à la Dick Dale em rotação bem lenta, tipo “aprenda a tocar esse riff”. Mas na parte final, retorna ao campo dos surfistas. Aliás, uma ótima canção para relaxar vendo o mar. Combina perfeitamente.

“What Goes Boom” 

A música mais rock, mais pesada do EP. Formada por opostos. A canção começa com um riff distorcido, curto e repetitivo, sustentado pela batida seca e acelerada da bateria de Davi Lovering. Em seguida, a guitarra se acalma (as cordas da guitarra são abafadas) deixando a música bem mais leve em contraponto com o peso do início.

Em resumo, as quatro canções são boas. E mostram um novo direcionamento musical da banda sem perder a sua identidade.

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Uma noite fria com The Breeders

26 de Julho de 2013

A banda The Breeders tocou ontem, dia 25 de julho, pela primeira vez no Rio. O show foi parte da turnê comemorativa de 20 anos do lançamento do álbum Last Splash. E como não poderia deixar de ser, esse escriba fez abaixo um relato de como foi a noite.

Fotos: Instagram

Foto: Instagram de Bárbara Borges

Cheguei na Lapa por volta das 21 horas e 30 minutos, e vi que estava rolando um show gospel nos arcos. Um frio intenso na cidade e os peregrinos ouvindo música gospel, pensei: “Que droga! Espero que não misture o som.”

Entro no Circo Voador faltando 10 minutos para a hora do show. Segundo o site da casa, o show começaria às 22 horas, e como os últimos shows que fui na casa começaram pontualmente na hora, entrei logo para não perder o início. Mas para minha surpresa, a casa estava muito vazia. Pensei mais uma vez: “Só me resta comprar uma cerveja e aguardar”.

22 horas e 23 minutos. A casa começa a encher, mas acredito que não irá lotar. Uma loira dança sozinha no meio da pista semi-vazia – como se não houvesse amanhã, e como se não tivesse ninguém assistindo – ao som das músicas do Dj escalado para aquecer o público enquanto a atração da noite não sobe ao palco.

Foto: Instagram

Foto: Instagram de natmarchewka

O show começou às 23 horas em ponto com a execução de “New Year” a primeira canção do “Last Splash”, álbum que veio a ser tocado faixa à faixa na ordem e na íntegra. Apesar do frio que fez no Rio, e ainda, apesar da minha previsão no segundo parágrafo deste relato, o público compareceu em bom número.

Logo na introdução da segunda música, o hit “Cannonball”, os gritos de saudação do público aos Breeders se fizeram presente. As irmãs Deal, Kim e Kelley, se mostram felizes, e brincam entre si. A sisuda baixista Josephine Wiggs sorri pela primeira e única vez na noite ao perguntar se alguém do público gostaria de tocar bateria na próxima canção. Como ninguém se prontifica, ela troca de instrumento com o baterista Jim Pacpherson em “Roi”.

A primeira parte do show terminou após a execução da última faixa de “Last Splash”, e após uma breve saída do palco, a banda voltou para os dois bis de praxe, tocando canções do álbum “Pod”, entre elas “Hellbound” e “Happiness is a Warm Gun”.

Foto: Instagram

Foto: Instagram de Daniel Coelho

Foi um show curto, devido a maior parte das canções serem de pouca duração. Além disso, é interessante notar que mesmo após 20 anos, as músicas ainda funcionam. Talvez, seja devido ao peso emocional que tais canções e disco tenham na vida de cada um dos presentes ao show. Mas analisando sem esse viés, foi um show bem executado.

O único senão, é que apesar do público ter gostado do show, o que percebi foi que algumas pessoas estavam ali não para ver e ouvir os Breeders, e sim para ver e ouvir a Kim Deal, ex-baixista do Pixies.

Uma tentativa de novas direções

26 de Março de 2013
foto: Michael Loccisano/Getty Images

foto: Michael Loccisano/Getty Images

Se reinventar, sair da mesmice, não é tarefa fácil. São poucas as bandas que conseguiram. Mas sair da zona de conforto, tentar fazer algo diferente dos álbuns anteriores, deixando para trás certas características do som é algo corajoso e louvável. Mesmo que o resultado final não seja satisfatório para muitos. É isso que encontramos no novo trabalho “Comedown Machine” da banda americana The Strokes.

A tentativa de fazer algo novo, que começou em 2011 em “Angles”, se torna mais radical e presente na maioria das músicas desse lançamento. São várias as influências identificáveis utilizadas na construção do novo som da banda. Há elementos pós-punk dos anos 80: “Chances” e “Tap Out”; elementos de punk: “50/50”; e até um lance jazzístico, com uma sonoridade meio bossa-nova: “Call it Fate, Call it Karma”.

foto: Kathy Saunders/Official site

foto: Kathy Saunders/Official site

Outro elemento inovador que chama atenção é o vocal de Casablancas. Em algumas canções, como por exemplo “80’s Comedown Machine” e “Slow Machine”, o vocalista faz uma linha mais melódica – às vezes, até usando a voz em falsete – deixando de lado o tom rouco e rascante da voz que se tornou característica marcante em antigas canções do grupo.

“Comedown” é um disco irregular, sem um direcionamento que o deixe uniforme. É clara a tentativa da banda em dar um passo adiante no som. Mas vejo que é necessário lapidar e organizar as idéias apresentadas, colocando nelas as características que fizeram os Strokes serem adorados por muitos ao redor do mundo. Talvez, eles possam inovar, quem sabe se reinventar. Ao ouvir “One Way Trigger”, a melhor música do álbum, acredito bastante nisso.

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A falta de atitude dos Clubes ou como acabar com a violência praticada pelas Torcidas Organizadas

12 de Março de 2013
foto: tirada do blog esporte jurídico

foto: tirada do blog Esporte Jurídico

A violência praticada pelas torcidas organizadas de futebol tomou conta dos noticiários nessas últimas semanas. Primeiro, por conta da morte do menino boliviano Kevin Espada, morto ao ser atingido por um sinalizador disparado pelo torcedor corintiano membro da Gaviões da Fiel – caso que repercutiu bastante nos meios de comunicação do país, e principalmente no programa “Fantástico” da Rede Globo, onde teve várias matérias. Em segundo lugar, pelo episódio envolvendo os jogadores do Palmeiras, Valdívia e Fernando Prass, que foram intimidados e agredidos por torcedores da organizada Mancha Verde num aeroporto em Buenos Aires.

Nos dois fatos ocorridos, a imprensa fez o trabalho, informando os fatos ocorridos. Mas nenhum meio de comunicação se preocupou em fazer uma reportagem que apontasse possíveis soluções para o fim da violência das torcidas. Quer dizer, não tinham feito até agora. O jornalista da Veja, Augusto Nunes, na coluna de ontem, dia 11 de março, aponta uma solução. Não é a única atitude a ser tomada. Mas talvez, o ponto essencial da questão. Está tudo na coluna do Augusto. Vale a leitura.

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/como-acabar-com-as-seitas-selvagens-que-se-disfarcam-de-torcidas-organizadas/

Tributo Kill ‘Em All

1 de Março de 2013

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Em 2013, completam exatos 30 anos do lançamento do primeiro álbum do Metallica. Por conta disso, a revista alemã Metal Hammer lançou um tributo onde várias bandas de metal regravaram o clássico álbum Kill ‘Em All.

As regravações, na totalidade, respeitam a originalidade das músicas. Nenhuma das bandas subverteu ou recriou as canções. O que se pode notar é um toque pessoal de cada banda. Um vocal gutural aqui, uma diferente palhetada ali, um efeito diferente na guitarra acolá e um andamento mais acelerado em algumas músicas.

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Os destaques positivos do disco ficam por conta das versões executadas por Motorhead, Anthrax e Cannibal Corpse, enquanto o negativo fica por conta da versão sofrível de “(Anesthesia) Pulling Teeth” da banda gótica alemã Eisregen & The Vision Bleak. No fim é uma homenagem importante para um álbum que influenciou gerações e foi o criador do gênero intitulado trash metal.

Fico na torcida que o Metallica comemore os 30 anos desse álbum tocando–o na íntegra nos shows, e quem sabe aqui no Rock in Rio. Seria memorável.

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